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Arte é uma ponte entre ciência e mistério’ exclama Regina Casé em entrevista com Maria Fortuna
"Musa inspiradora de Caetano Veloso, artista multifacetada, ativista potente, mulher-onça". A jornalista Maria Fortuna exaltou Regina Casé como uma personalidade transformadora ao unir a arte e a luta socioambiental antes de entrevistá-la. O encontro aconteceu no sábado, 13, último dia do festival Plante Rio, na Fundição Progresso.
Artista e ativista
Fortuna orientou a conversa evidenciando os projetos da atriz que dialogam com a divulgação e a preservação da flora tanto nacional quanto internacional: “Regina define a natureza como o seu lugar no mundo e que ela não só se relaciona, mas é parte dela”.
No Museu do Jardim Botânico, Casé narra a exposição interativa “Sumaúma: Copa, Capa, Cosmos”, de Estevão Ciavatta. A obra apresenta a maior árvore da Amazônia, a Samaúma (Ceiba pentandra), desde a semente até os mitos indígenas. Outro destaque na carreira da apresentadora é o programa “Um Pé de Quê?”, que fez parte da programação do Canal Futura por muitos anos. O programa apresentou mais de 140 espécies de árvores ao redor do mundo e Casé compartilhou quais foram os ensinamentos absorvidos durante a produção dos episódios: “Você planta três árvores, que trouxe a muda igualzinha, no mesmo lugar. Aí você planta e cada uma vira um indivíduo completamente diferente. Uma cresce, a outra fica baixinha. E, ao observar esses comportamentos, para mim, é uma das coisas que eu mais adoro. Adoro ver uma árvore que eu não conheço até descobrir qual é. É quase um álbum de figurinha”.
A ciência e o mistério
Regina Casé relembrou histórias com as comunidades originárias que a ajudaram na construção do seu ativismo. Desse modo, ela revelou o segredo para aproximar os cidadãos das pautas climáticas: "Arte é uma ponte entre ciência e mistério. Ela toca emocionalmente, provoca, transforma. A sensibilização ambiental passa pela emoção, não pela razão. A emoção, o humor, o amor aproximam as pessoas”, afirma.
A entrevista convergiu para a conclusão na qual os agentes culturais reverberam as transformações climáticas. Isso porque há a possibilidade do diálogo entre a tecnicidade e o popular. "Artistas têm visibilidade e podem usar isso para agir em causas que conhecem e sentem. O Paulo Gustavo, por exemplo, avançou questões sociais pelo humor, tocando milhões sem protestos explícitos. Esse é um caminho que a arte pode seguir”, Casé reforçou.
E o futuro?
A presença de Regina Casé no Plante Rio sintetizou o espírito da sétima edição do festival: a arte como elo vital entre ciência e a justiça socioambiental. A trajetória dela se relaciona diretamente com a proposta do evento de articular saberes diversos em prol da sustentabilidade.
No final da entrevista, apesar de a atriz desabafar sobre o atual cenário brasileiro, ela se disse otimista com o futuro das políticas climáticas. “Eu já vi tanto nessa minha vida, tantas coisas começarem pequenininhas. Alguma pessoa começa com uma plantinha e consegue transformá-la em algo maior. É confiar na própria vontade da vida, de continuar fazendo todas essas maravilhas para a gente. Acredito que a gente vai conseguir. Acredito mesmo”.
Assim como a Samaúma, que inspira pela sua narrativa, o Plante Rio se enraíza na cultura e na coletividade para projetar futuros possíveis. Torna-se essencial entender que a sensibilização ambiental floresce quando a arte, a ciência e a sociedade caminham juntas.
REDAÇÃO PLANTE RIO:
Texto de Gabriel de Souza
Fotos de Mundo Berriel
Supervisão de Clara Lugão e Iago Souza