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Se o século XXI é delas, a Fundição também: mulheres ampliam protagonismo na Casa de Todas as Tribos
Quando a Billboard divulgou sua lista das 100 mulheres artistas mais importantes do século XXI, a publicação destacou aquilo que os números já mostravam: as mulheres não apenas participaram da história recente da música, elas ajudaram a defini-la.
Na Fundição Progresso, esse protagonismo também tem ganhado forma nos palcos da Casa de Todas as Tribos. Nos últimos meses, artistas mulheres ocuparam diferentes espaços da programação. Estiveram à frente de grandes turnês, idealizaram projetos próprios, comandaram pistas de dança, abriram shows e reafirmaram a potência feminina em gêneros musicais diversos.
O ano começou com Vanessa da Mata dividindo uma noite especial com João Gomes e levando à Fundição a turnê "Todas Elas", reafirmando a força de uma das vozes mais importantes da música brasileira contemporânea. Pouco depois, Marina Lima fez sua estreia na casa com a turnê comemorativa "Marina Lima 70". A noite contou ainda com a abertura da banda Troá! e com Letrux comandando os intervalos, ampliando a presença feminina para além do palco principal.
Nos ensaios de pré-carnaval do Monobloco, diferentes expressões desse protagonismo também estiveram presentes. O coletivo Samba Que Elas Querem integrou a programação com sua proposta de fortalecer a representação feminina dentro do samba carioca, enquanto DJ Nicole Nandes assumiu a pista nas duas noites.
As festas juninas igualmente tiveram mulheres no centro da celebração. Elba Ramalho voltou à Fundição reafirmando seu papel como referência absoluta da música nordestina. Em abril, Marimelo celebrou o primeiro ano do Baile MariRoots, projeto criado a partir de sua pesquisa sobre o forró tradicional e que rapidamente conquistou público fiel. Agora, o baile retorna para uma nova edição em junho, consolidando seu espaço na programação da casa. Em julho, Mariana Aydar sobe ao palco do tradicional Arraiá da Fundição, levando ao público um trabalho reconhecido por atualizar narrativas do gênero e ampliar o debate sobre o protagonismo feminino dentro da música de raízes brasileiras.
A presença feminina também atravessou outros territórios musicais. Na cena urbana, Anati representou a nova geração de DJs ao integrar a programação do show de Matuê. Marvvila aparece como um dos destaques do Arraiá da Alegria, levando ao palco um pagode contemporâneo construído com personalidade própria.
Os próximos meses reforçam essa construção. Gaby Amarantos chega à Fundição com a Rock Doido Tour, espetáculo que traduz a liberdade criativa e a potência estética de sua nova fase artística. Ebony encerra no Rio de Janeiro a turnê "KM2 (De Luxo)", em um show que marca o fechamento de um dos capítulos mais importantes de sua trajetória. Mariana Aydar se junta a esse movimento ao ocupar o palco do Arraiá da Fundição com um trabalho reconhecido por renovar o diálogo entre tradição e contemporaneidade.
Olhando um pouco mais para trás, a presença feminina também já havia marcado temporadas anteriores da programação da casa. Em 2025, a Fundição recebeu ANAVITÓRIA com a Turnê das Esquinas, celebrando os dez anos de carreira da dupla, e promoveu o encontro histórico entre Dezarie e Israel Vibration & Roots Radics, trazendo ao palco uma das vozes mais reverenciadas do reggae mundial.
Mais do que reunir grandes nomes, a programação da Fundição revela um cenário em transformação. São artistas consagradas, nomes em ascensão, coletivos femininos, DJs, bandas e criadoras que ocupam diferentes funções na experiência do espetáculo. Não como exceção ou recorte isolado, mas como parte fundamental da construção artística da Casa de Todas as Tribos.
Se a história da música do século XXI ajuda a explicar a força das mulheres na cultura contemporânea, a programação da Fundição Progresso mostra que esse protagonismo continua sendo escrito no presente. Nas vozes que lideram turnês, nas artistas que criam seus próprios projetos, nas DJs que movimentam as pistas e nos coletivos que reivindicam espaço. No centro do palco, cada vez mais, elas seguem conduzindo a história.