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Mutirão é mão na máxima
Qual papel cumpre os mutirões na equação do colapso climático? É isso que o Plante Rio põe na roda em sua edição comemorativa de 10 anos.
Ninguém está a salvo do colapso climático. Mas há pessoas - e territórios - que sofrem mais. A primeira roda de conversa do segundo dia de programação do Plante Rio 2026, “Mutirão é mão na máxima”, reuniu Luíz Felipe Ribeiro (Instituto BXD), Lunna Normande (Rede Negra Revolucionária), Juliana Coutinho de Brito (Visão Coop) e Roberta Simões Oliveira (Rede Carioca de Agricultura Urbana) para refletir sobre como o mutirão é uma estratégia de sobrevivência nas periferias diante dos impactos das mudanças climáticas.
A conversa começou com arte. O grupo Passinho Carioca, formado por jovens da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, abriu a programação. Para Juliana Coutinho, cria de Queimados, a cultura e a organização comunitária são formas de enfrentar as desigualdades que se aprofundam com os impactos climáticos.
Em territórios onde as políticas públicas não chegam, chuvas fortes e instáveis agravam problemas de infraestrutura e saneamento básico. Na Baixada, as enchentes fazem parte da realidade de muitas famílias e podem resultar na perda de móveis, documentos e outros objetos que guardam suas memórias. Para Luíz Felipe, os impactos ambientais se somam a lacunas históricas do território e evidenciam o racismo ambiental.
A discussão também passou pela produção de alimentos. Em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio, Roberta apresentou a agricultura urbana como uma atividade que depende do trabalho coletivo. A produção de alimentos envolve agricultores, consumidores e diferentes etapas até a comida chegar à mesa. Fortalecer os produtores locais, segundo ela, também faz parte dessa rede.
Roberta também chamou atenção para uma dimensão menos comum do mutirão. Embora a palavra costume remeter a grandes mobilizações, a ação coletiva pode envolver poucas pessoas. Para ela, reconhecer a força dessas pequenas ações é também entender que cada pessoa pode contribuir para mudanças mais amplas.
Para os participantes, o mutirão está presente em práticas antigas e cotidianas, da construção de casas e lajes ao cultivo de alimentos, às manifestações culturais e às redes de cuidado. Lunna destacou ainda a organização comunitária como parte da luta por direitos básicos, como moradia, alimentação e acesso à água.
A mediação de Ana Santos, do CEM, trouxe outro ponto para a discussão: a mobilização das comunidades não deve esconder a ausência de políticas públicas. A organização coletiva pode criar respostas e fortalecer os territórios, mas não substitui a responsabilidade do poder público diante das desigualdades e dos impactos da crise climática.
REDAÇÃO PLANTE RIO:
Matéria de Luna Galera
Fotos de Luna Galera e Clara Lugão
Supervisão de Clara Lugão e Maria Clara Paiva